quinta-feira, 5 de setembro de 2013
4 comentários

Um grande desabafo: O que realmente faz um cidadão!


Acordei hoje muito cedo devido ao meu estado de saúde que não está lá essas coisas, mas acordei cedo também ouvindo meu sobrinho reclamar da roupa que a mãe havia escolhido para ir a escola. Questionado sobre isto ele afirmou que seus coleguinhas de classe zombaram dele devido a ele estar sempre com as mesmas roupas e até mesmo a roupa que ele veste. Isso me lembrou muito a minha infância e também de minha irmã, na escola sempre existiu aquelas pessoas que zombavam do nosso cabelo, das roupas e de qualquer coisa que pudesse diminuir o que nós éramos. Já ouvi casos de pessoas que deixaram a escola, porque estes abusos não ficaram apenas na infância e se estenderam até a adolescência.

Pode parecer pouco aos olhos de quem nunca ouviu um "sua mãe não tem outra roupa para te vestir não?", " você só tem essa roupa e estes sapatos?" e entre outras coisas, porém ninguém que não tenha passado por isso não entende o quanto dói para a criança que ouve e para a mãe que mais tarde tem de ouvir isto do filho. Ninguém pergunta o real motivo disso, mas todo mundo sabe que a causa é a falta de poder aquisitivo, mas esta falta é usada para diminuir os colegas. Na minha infância eu tive um sapato por ano para ir a escola e se ele durasse mais que isso, eu iria com ele até acabar. Calças? Até quando estava na minha adolescência eu fui com uma calça remendada para não ter que comprar outra. Blusas? Até hoje vou as famosas "lojas de dez " e me esbaldo. Em minha casa nunca tivemos luxo, nem roupas e cadernos do "bom e do melhor", nós tivemos educação, respeito, lições de humildade e mais ainda: ganhamos ideais para os quais hoje vivemos. Essas crianças que um dia falaram de mim e essas que hoje falam de meu sobrinho não devem entender a dor de uma mãe quando o filho chega e reclama que os coleguinhas ficam zombando dele por ter poucas peças de roupas. Eles não conhecem a dor da mãe que certamente pensa naquele momento "Eu não sou capaz de nem sequer vestir o meu filho!". Eu lia isso nos olhos da minha mãe, por isso nem reclamava, sempre soube que os calos que existiam nas mãos dela eram para me dar tudo que eu precisava para ser alguém de bem e não aquela que o mundo esperava que eu fosse. 
E não venha me dizer que são só crianças, que não tem mal nisto. Crianças que desde cedo humilham seus coleguinhas, são potenciais adultos que também não enxergarão o esforço do próximo em ser alguém melhor, mesmo não tendo em casa a melhor roupa para sair. Não que todos serão assim, estou querendo dizer que humildade e respeito para com o próximo vem do berço. Eu não sou a pessoa mais humilde do mundo, na verdade, sou bem egocêntrica e mesquinha, porém nunca humilhei alguém por estes motivos, porque eu sei bem o que se passa dentro de uma casa onde o trabalho árduo é o método mais eficaz para sustentar uma família.
Eu queria pedir aos pais que observassem o comportamento de seus filhos neste sentido, principalmente na escola. Não só de lições de português e matemática se fazem uma criança, mas também de lições de humildade e de cidadania. Nossos filhos tem de aprender a respeitar o próximo nas suas particularidades e condições e isso, nenhuma escola ensina tão bem quanto a própria casa. Na verdade, o maior erro é acreditar que a escola vai fazer o seu filho ser uma ótima pessoa, pois quem faz isso são os pais. Então, não é certo culpar a escola por que seu filho está mal, olhe para seu filho e entenda que a educação vem do berço e quem tem que tomar atitudes quanto o comportamento dele, é você, pai!
Certas ações que presenciamos quando crianças refletem muito no que somos hoje e a gente nunca se esquece o que nos disseram, do que nos chamaram e as pessoas que nos chamaram. Eu, por exemplo, nunca me esqueci o quanto criticavam meu cabelo, meus tênis de menino (pois eram mais baratos), minha mochila que não era rosa e não era de carrinho e me lembro das pessoas também e guardo imensa mágoa e ao mesmo tempo eu tenho pena do que se tornaram. Várias destas pessoas que um dia zombaram de mim, hoje não chegaram nem perto do que eu sou, o que mostra mais uma vez que roupa e condição financeira não é, de forma alguma, um padrão que indicará o potencial de alguém, na verdade, são valores morais e experiência de vida.
E eu que andava com roupas remendadas, sapatos com o fundo furado, blusas de frio ganhadas dos outros e com cadernos sem desenho de boneca alguma, hoje estudo em uma das melhores universidades do país, tenho um emprego dos sonhos, participei e conquistei inúmeros concursos acadêmicos e ainda tenho vários para conquistar. Tudo isso devido a melhor educação do mundo, que me ensinou a respeitar, entender e a não tentar diminuir ninguém devido a sua classe social, pois meus pais me ensinaram cedo que o que faz um Cidadão é o trabalho árduo e a dignidade.
O trabalho é que faz ser. Obrigada, família, obrigada!

É um texto extenso, desculpem-me, mas precisava desabafar.

4 comentários :

  1. gostei paloma voce foi bem sincera nesse texto e apesar de usar uma falacia de apelo ao emocional voce foi muito bem gostei bastante continue escrevendo eu sempre leio seus textos e gosto muito tchau

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  2. Usei a falácia porque esse assunto pesa muito no meu emocional. Muito obrigada e continue comentando e criticando, sempre será bem vindo!

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  3. Parabéns!sempre leio suas matérias,também compartilho da mesma opinião,se hoje sou um cidadão de bem,sabedor dos meus deveres e obrigações como esposo,pai e chefe de família,se hoje tenho valores éticos,respeito ao próximo,morais e religiosos devo aos meus pais,que com muito labor contribuíram para isso,valores como estes,nenhuma universidade poderá nos dar.Abraços!

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    1. Exatamente, Walter, a escola das boas maneiras e respeito é a propria casa, nunca uma instituição de ensino.

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